Texto da Proclamação da Independência


Diz a história que as reiteradas tentativas de emancipação social das nossas ilhas, embora tenham deixado mártires e gerado heróis anónimos, foram sempre estrangulados pela opressão colonial.

Coube às modernas gerações, iluminadas pela ideologia de libertação dos povos colonizados e impregnados de espírito de Bandung, compreender que o problema da miséria e do atraso social das ilhas de Cabo Verde reconduzia-se a um problema político e, como tal, jamais poderia ser resolvido no quadro da sujeição colonial e da alienação da liberdade humana. Antes de mais, postulava a reivindicação e a luta pela Independência.

Todavia, para empreender com êxito esta luta, desigual face à expressão numérica das realidades em confronto e ao prestígio de falsos valores dominantes em vastas regiões da comunidade internacional, era, na conjuntura, necessário que os Povos Africanos superassem a escala nacional e potenciassem a sua energia vital na cooperação de esforços e na unidade de depósitos revolucionários.

Assim, AMILCAR CABRAL, Fundador e Militante n.º 1 do P.A.I.G.C., concebe a genial ideia de renovar o sentido do Povo e reestruturar na matriz política da libertação dos Povos do Terceiro Mundo, a Unidade dos filhos da Guiné e Cabo Verde, Assim se funda e se constrói o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, motor histórico da renovação mental, social e ideológica, segundo linhas da acção construtiva e da pedagogia política do nosso imortal guia, Amílcar Cabral.

O princípio da Unidade Guiné e Cabo Verde, concebido para a luta e forjado na luta, que já estava prefigurado na nossa comunhão de sangue, de mártires e de História, deu provas irreversíveis como factor decisivo de mobilização da consciência nacional, de organização para a luta e de transmutação da nossa Sociedade.

Coroada de glória a confrontação política e armada na Guiné-Bissau, onde se iniciou a derrota do Império Colonial Português, O P.A.I.G.C. intensificou a luta revolucionária nas ilhas: lançou justas palavras de ordem correspondentes às profundas aspirações e aos interesses vitais do nosso povo, mobilizou as camadas trabalhadoras alienadas à omnipotência do Estado Colonial, deu aos trabalhadores públicos e da actividade privada uma nova consciência de dignidade na liberdade, inspirou greves e manifestações de protesto contra actos repressivos na Ordem Colonial, dinamizou movimentos de massa para reivindicação de bens e valores pertencentes ao sagrado património do Povo.

Assim, a vontade inequívoca das massas populares confirmou, no terreno firme e eloquente dos factos, a legitimidade representativa que ao P.A.I.G.C. haviam reconhecido as mais altas instâncias as Organização da Unidade Africana e das Nações Unidas.

Assim, nós, o Povo das Ilhas, quebramos as cadeias de subjugação colonial e escolhemos livremente o nosso destino Africano. E a História reterá que filhos do nosso Povo glorioso de Cabo Verde, que se bateram com valentia na frente da luta armada da Guiné, estiveram prontos e decididos para o combate armado em Cabo Verde também, se tal viesse a revelar-se como única via para a libertação das nossas queridas Ilhas.

Povo de Cabo Verde

Hoje, 5 de Julho de 1975, em teu nome, a Assembleia Nacional de Cabo Verde

Proclama solenemente a Republica de Cabo Verde como Nação Independente e Soberana


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